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A correção é necessária?


”Meu filho, não despreze a correção do Senhor e não perca o ânimo quando for repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho. Em vista da educação é que vocês sofrem. Na hora, qualquer correção parece não ser motivo de alegria, mas de tristeza; porém, mais tarde, ela produz um fruto de paz e de justiça naqueles que foram corrigidos”
(Hb 12,5.611).

Não raras vezes ficamos chateados, e até mesmo magoados, com a pessoa que está responsável por nós pelo fato de ela ter chamado a nossa atenção em alguma coisa. Diante disso, ficamos querendo jogar tudo para o alto, pois o nosso ego fica abalado.

Essa é uma atitude que faz parte da natureza humana. No entanto, isso não significa que é correta e que deve ser repetida. Muito pelo contrário. Ela deve ser trabalhada na presença de Jesus pelo auxílio do Espírito Santo.

Tanto no Antigo como no Novo Testamento encontramos a certeza de que a correção/direcionamento provém do coração de Deus e que ela é necessária para que possamos caminhar sempre na verdade ( Gn 12,1-2; Ex 3,16; Js 1,2-3; Ez 3,16-21; Lv 19,17; Dt 19,15; Mt 18,15-18; 2Ts 3,15; Gl 6,1; 2Tm 2,25-26; Hb 12,11; Tg 5,19). Citamos aqui somente alguns, mas existem vários outros, sobretudo nos Evangelhos, onde Jesus indica aquilo que os discípulos precisam realizar em sua missão ( Mt 10,5; 21,1; Lc 10,1-12).

Alguns destes textos sagrados são bastante claros. Vejamos só o que podemos ler na carta aos Hebreus: “Na hora, qualquer correção parece não ser motivo de alegria, mas de tristeza; porém, mais tarde, ela produz um fruto de paz e de justiça naqueles que foram corrigidos” (Hb 12,11).

É de fato isso o que acontece quando recebemos uma correção: dói. E causa dor porque geralmente pensamos que a nossa verdade é a verdade absoluta e, por isso, não aceitamos que ela seja re-direcionada e podada. Esta correção acaba mexendo com o nosso ego. Nosso egoísmo e vaidade são feridos.

Porém, a Palavra de Deus nos mostra que, embora no momento exato a correção machuque e entristeça, depois os frutos colhidos são de “paz” e “justiça”. Estes são os frutos que se manifestarão quando o Senhor vier “justiça e paz se abraçaram” (Sl 85,11)

Diante desta certeza que a Palavra de Deus nos traz não podemos ter medo de orientar o Povo de Deus que está sob a nossa responsabilidade. As atitudes de orientar e educar são próprios de quem ama, pois “quem ama educa”.

Todos os passos que damos na nossa vida precisam ser orientados: na escola pelo professor; na profissão pelo nosso superior; na sociedade pelas leis em vigor; na Igreja por quem Deus colocou como nosso responsável. Tudo isso porque quem não é orientado de forma correta acaba sendo de outra forma, não raras vezes equivocadas. Isso é uma das causas de muitos fracassos na caminhada

No DJC esta orientação recebe o nome de Acompanhamento Personalizado. Ele está dentro do MEAD (Método de Evangelização e Acompanhamento de Discípulos), sobretudo na segunda parte, onde, já tendo a nossa fé reavivada, passamos a vivenciar o nosso Desenvolvimento Integral.

Este Acompanhamento Personalizado é realizado pelos Articuladores, Coordenadores, Conselheiros e Acompanhantes. Somente eles estão autorizados a fazê-lo, uma vez que é missão específica deles. Esta é uma precaução tomada até para que não se banalize algo tão fundamental para o nosso crescimento como discípulos e missionários de Jesus Cristo, onde toda pessoa pode ficar entrando na vida e na missão do outro. Isto de forma alguma é fechamento, mas organização.

O Acompanhamento se faz na prática do dia-a-dia, com orientações pontuais, de acordo com a necessidade de cada momento, mas também em momentos específicos que serão especialmente reservados. Se quem é o responsável por orientar não o fizer está incorrendo em pecado grave, pois se Deus deu o Carisma devemos colocá-lo em prática.

Jesus nunca teve medo de orientar e se dirigir aos seus discípulos. Várias passagens dos Evangelhos nos mostram esta realidade. Ele sabia como falar, mas não tinha medo de falar.

Por fim é preciso dizer que a orientação deve sempre ser acompanhada do amor e do
discernimento, pois embora às vezes seja necessário falar de forma mais “dura” nunca podemos perder de vista que a orientação deve ser fruto do amor e que deve gerar na pessoa crescimento. É só equilibrar pulso firme com amor. Jesus sempre soube

Da mesma forma que Jesus teve que se dirigir aos vendedores do templo de um modo mais “áspero” com o intuito de mostrá-los o valor da casa de Deus (Mt 21,12) também nós, mesmo nos momentos de correções mais “claras e diretas” devemos ter em mente o amor e como horizonte que aquela pessoa está em crescimento.

Graça e Paz!

Francisco Edmar
MGDI

Servir na mística do amor



Todos nós, por força do nosso Batismo e vontade do próprio Deus, somos chamados ao serviço. Nossa missão é evangelizar, anunciar a Boa Nova de Jesus “a todos os povos”(Mt 28,19). No entanto, não podemos ter apenas a “ação pela a ação”. Ou seja, não podemos estar evangelizando apenas porque gostamos ou nos sentimos bem. Isso é bom, é um passo, mas é pouco demais. Em todos os outros setores da sociedade isto já acontece.

Na Igreja e, conseqüentemente, no Discipulado de Jesus Cristo, temos uma grande diferença e é o que está por trás de toda nossa ação: a mística. E esta mística é fruto do amor que temos por Jesus e pelo Movimento do qual fazemos parte.

Partindo deste princípio fundamental do amor, e vendo a passagem bíblica em que Jesus interroga Pedro a respeito de seu amor por Ele, para que ele possa ser pastor da sua Igreja(Jo 21,15-19), somos levados a fazer alguns questionamentos importantes: Quem pode servir a Jesus Cristo? Quem pode ser chamado de evangelizador? A quem podemos dar um serviço de frente dentro do projeto de evangelização do DJC?

Na verdade, só pode servir quem de fato ama a Jesus, a Igreja e também o DJC. Os serviços são distribuídos na medida do amor e da dedicação de cada pessoa.

O amor da pessoa é pelo DJC, mas, em última, definitiva e mais importante instância, é por Jesus e sua Igreja. Tanto que o nome de nosso Movimento é Discipulado de Jesus Cristo. Não é um discipulado que pertence a “fulano” ou a “beltrano”. O DJC pertence ao próprio Jesus. Foi Ele quem o fundou e é Ele quem, até hoje e sempre, o manterá, pelos desígnios de sua infinita misericórdia.

O DJC aceita, conforme mandato de Jesus, todas as pessoas, as acolhem e lhes dá amor; mostra a salvação e a vida nova. Não podemos, sob pena de estarmos contra Jesus, desprezar ninguém.

No entanto, para colocar uma pessoa para servir, temos que ter uma prudência e um discernimento a mais. Devemos meditar bem quem é o candidato, o amor que esta pessoa tem pelo DJC, qual seu carisma específico, etc Pois estas pessoas estarão tratando diretamente com vidas, e vidas muito preciosas para Deus!

Jesus tinha vários discípulos e, no entanto, só escolheu doze Apóstolos. Não escolheu os que estavam mais preparados, nem os mais santos, mas sim aqueles que o amavam mais. Isso não quer dizer que depois Judas, deixando-se levar pela influência de Satanás, não traiu Jesus ou impediu que Pedro o negasse três vezes ou que todos os discípulos, com exceção de João, um por um, o abandonassem durante sua paixão e crucifixão.

Porém, foram estes mesmos discípulos, teimosos e medrosos, mas cheios de amor, que logo após a certeza da ressurreição do Mestre e derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes, deram suas vidas por meio do martírio e mostraram o grande o amor por Cristo que estava guardado dentro de seus corações.

O amor tudo supera, já dizia São Paulo. O amor supera a nossa fraqueza e a nossa miséria, porque não é simplesmente amor humano, mas amor que provém de Deus.

E, ao mesmo tempo, este amor traz consigo o compromisso e a dedicação. Na verdade a prova de que o nosso amor é verdadeiro só é obtida quando nos comprometemos e nos dedicamos com a edificação do Reino de Deus, partindo do carisma de grupo que Deus nos concedeu.


Para cada movimento dentro da Igreja o Senhor tem um plano específico. O DJC não foge a esta regra. Deus não é monótono, Ele é dinâmico. Deus gosta do novo. Não simplesmente um novo pelo novo, sem nenhuma serventia, só para se dizer que é o novo. Mas é um novo com um objetivo claro: para a salvação e bem de todos os filhos e filhas d’Ele.

Deus se introduz na nossa história e no nosso cotidiano. O DJC ao longo do tempo, com erros e acertos, vitórias e derrotas, mas com o “auxílio determinante do Espírito Santo”, vai construindo a sua história. Vamos sendo modelados; vamos criando cara e identidade. E é o próprio Deus quem nos vai moldando, podando, fazendo-nos descobrir a nossa identidade.

Se amar a Deus é amar ao próximo, é amar a grande fraternidade de irmãos, ou seja, o Movimento dentro da Igreja do qual fazemos parte, significa dizer que também devemos amar a proposta e o objetivo que este Movimento traçou para o seu projeto de evangelização e conseqüente colaboração para a implantação do Reino de Deus aqui mesmo na terra.

Todos os projetos de evangelização em todos os recantos da Igreja devem favorecer o anúncio de Jesus e de sua salvação. Se não for desta forma estará longe de sua missão e, na verdade, mesmo falando de Jesus, estará contra Ele.

O projeto de evangelização do DJC, com seu objetivo e metodologia, deve ser respeitado e amado sob pena de estarmos desrespeitando e deixando de amar o próprio Deus que colocou em nossos corações estas motivações provenientes do Espírito Santo. Devemos amar o nosso Movimento, pois assim estaremos amando a Jesus.

Graça e Paz!

Francisco Edmar de S. Silva
MGDI

Como a Igreja se organizou e se manteve ao longo dos séculos?


“Dou testemunho diante de vós: eu não sou responsável se alguém se perder, pois não deixei de vos anunciar todo o plano de Deus a vosso respeito. Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como guardiães, como pastores da Igreja de Deus que ele adquiriu com o seu sangue” (At 20,27-28)

Os primeiros cristãos (inspirados pelos ensinamentos e pelo exemplo do próprio Jesus), sobretudo na pessoa dos apóstolos e depois dos primeiros padres, tinham uma preocupação muito grande: estruturar bem o trabalho de evangelização, de tal modo que este pudesse permanecer até mesmo depois da morte deles.

E vejamos só no que deu esta preocupação: em pleno século XXI a Igreja de Cristo, apesar de tudo, permanece firme e forte na sua missão. Tudo isso graças à visão daqueles homens, iluminados pelo Espírito Santo, que enxergavam na estruturação o melhor caminho para que o evangelho do Senhor fosse propagado a todas as gentes conforme Ele mesmo havia pedido (Mt 28,19)

Por algumas passagens do livro dos Atos dos Apóstolos e alguns escritos antigos é possível notar que eles, mas do que falar em fundação de alguma comunidade (e mesmo depois que fundavam) davam grande atenção à continuidade do trabalho de evangelização (At 1,21-22).

Bem sabiam que nenhum trabalho se sustenta só de intenção ou de um desejo que nunca se concretiza no dia-a-dia. Sabiam mais ainda que, por ser um trabalho extremamente difícil, a missão evangelizadora precisava ser constantemente irrigada com muita paresia e com pessoas certas para serviços certos capazes, se necessário, de dar até mesmo a vida pela causa do Reino de Deus.

Por isso, os apóstolos tomaram três decisões.

A primeira delas é que eles seriam os primeiros a darem testemunho da ressurreição do Senhor, mesmo que isso representasse para eles açoites e morte. E fizeram isso com muita lucidez e alegria (At 5,41). Queriam com este ato torna-se referência para os outros que labutavam pela mesma causa. Queria demonstrar que era possível sacrificar-se, até a morte, pela causa de Jesus. Isso passa pelos séculos até os dias atuais: se quem está evangelizando não for o primeiro a dar testemunho, todo o trabalho de evangelização, mesmo que disponha de todos os meios humanos possíveis, fracassará, pois estará faltando o testemunho pessoal que arrasta multidões e inibe a fofoca dos inimigos e invejosos (2Pd 2,11-12).

A segunda é escolher pessoas certas para serviços e ministérios certos (At 6,1-7). Pessoas que tivessem compromisso e disponibilidade para o anúncio da Palavra. Além disso, deviam ser pessoas com reputação ilibada (incorrupta, sem manchas) e com muito amor a Jesus e à Igreja (At 3,1-2). Portanto, logo de início, aquelas pessoas interesseiras, sem comunhão total com a obra de Jesus, mentirosas e que só gostavam de aparecer, eram descartadas (At 5,1-11).

A terceira era escrever, em forma de compilação, tudo aquilo que Jesus tinha ensinado e que o Espírito Santo havia revelado (Lc 1,1; Jo 21,24). Desta forma, eles resolviam três problemas: tinham um conteúdo único para o anúncio da Palavra; esta palavra, agora compilada, podia chegar a lugares longínquos; e, com o anúncio básico nas mãos, os evangelizadores tinham como se livrar dos falsos profetas que queriam pregar a sua própria verdade e não a sã doutrina deixada por Jesus.

Estas três atitudes garantiram a permanência da Igreja ao longo dos séculos. E olha que não foram somente flores no caminho. Muitas pedras e espinhos, cultivados dentro e fora da Igreja, tiveram que ser removidos.

Mas tudo isso só foi possível porque a base havia sido lançada (primeiro pelo próprio
Jesus e depois pelos apóstolos e seus sucessores). E os que vieram depois deles aprenderam tudo isso. E isso é feito até hoje.

É isso que, como DJC, precisamos aprender, pois tais atitudes minimizam os insucessos e maximizam os sucessos na evangelização. Quem manda é o Espírito Santo. Os apóstolos sabiam disso. Por isso, quando tomavam uma decisão eles sempre diziam: "nós e o Espírito" (At 15,28). Mas eram também conscientes que precisavam fazer a sua parte. E isso, com a ajuda de muitos outros, fizeram muito bem.

Caminhemos nesta direção.

Graça e Paz a todos.

Francisco Edmar de S. Silva
MGDI

Em vasos de barro



A confiança é um tesouro. É um tesouro imaterial que sustenta e permeia tudo. Tudo depende da confiança que se pode ou não depositar em pessoas, sistemas e instituições. Até mesmo a economia - ancorada sempre na materialidade do que o dinheiro determina, compra e permite possuir como propriedade - depende dos fluxos e refluxos advindos dessa credibilidade.

O comprometimento da confiança é um desastre de proporções incalculáveis e, por vezes, irreparáveis. A forma como a pessoa trata a confiança atribuída a ela define a sua estatura, configura suas responsabilidades e sustenta seus papéis desempenhados nas instituições e nas diversas situações da vida social, familiar, religiosa e política.

A perda da confiança provoca uma crise que corrói bases e raízes – solapando a consistência e a sustentabilidade, particularmente aquela de caráter moral. Na verdade, a confiança é alavancada pela consciência moral regente na conduta pessoal e no exercício das responsabilidades que compõem o tecido das relações, gerando o merecimento da credibilidade.

A competência técnica, ou outra, não substitui nunca o tesouro da confiança. Esse tesouro é precioso e indispensável. Qualidade que envolve desde a credibilidade dos que representam o povo e são servidores públicos, por exigências próprias da política, da religiosidade ou de trabalhos prestados na vida social, até aquela situação familiar ou educacional, quando pais confiam suas crianças, desde a mais tenra idade, ao cuidado de babás ou de educadores.

A traição da confiança é um crime com graves consequências. A garantia para a credibilidade tem a consciência moral como ponto de apoio e de sustentabilidade. A confiança é comprometida quando a consciência moral é atingida por patologias ou por seduções e corrupções circunstanciais.

O tesouro é atingido frontalmente e como um terremoto devastador prejudica as relações interpessoais, as configurações da vida religiosa, social e política. A escolha de candidatos em eleição se define prescindindo da referência desse tesouro da confiança de que o candidato é depositário e que o torna merecedor de credibilidade.

O mesmo vale no exercício de variadas responsabilidades profissionais no conjunto de serviços prestados na sociedade: do profissional da saúde ao faxineiro, da babá ao juiz, do comerciante ao informante. De modo particular, esse tesouro da confiança é insubstituível no âmbito confessional religioso.

O tesouro da fé, com seus desdobramentos morais e suas significações que configuram condutas com exigentes performances próprias, não dispensa a credibilidade de que todo crente, religioso, consagrado deve ser merecedor. Qualquer comprometimento nessa esfera atinge frontalmente o tesouro da fé. Atinge-o não na sua essência, em razão de sua consistência própria.

Mas, alcança o depositário da indispensável credibilidade. Respinga e consome feições e configurações na instituição a que esta ou aquela pessoa pertence e atua. E exige posturas firmes e transparentes para que patologias, conveniências e conivências não gerem e presidam processos que possam prejudicar a beleza da confiança ancorada no tesouro da fé e da moral.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, na sua segunda carta, 4,7, adverte que "trazemos este tesouro em vasos de barro". O tesouro da fé e da moral tem sua consistência própria e sua força inigualável de sustentabilidade. Força essencial que dá sentido à vida e ilumina o horizonte de suas direções. Esse tesouro é carregado em vasos de barro. Esta advertência educativa feita pelo apóstolo Paulo, sublinha ele, é "para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós". O tesouro da confiança é a liga que dá consistência ao barro que configura e dá forma ao vaso depositário dos valores éticos, morais e da fé. Esses valores são tesouros imperecíveis. O vaso é de barro. Embora seja de barro, é indispensável que tenha a liga necessária - a credibilidade - para evitar o risco de rachar com facilidade. O ajuntar e o emendar cacos de vaso de barro é tarefa, muitas vezes, impossível. Esse horizonte situa o desafio enorme que a Igreja Católica vive no enfrentamento dos casos de pedofilia nos quadros da vida sacerdotal. Os incontáveis sacerdotes sérios, abnegados e merecedores de incondicional credibilidade estão atingidos. Está atingida a Igreja na sua tarefa de depositária do tesouro imperecível da fé e da moral, demanda insubstituível na sustentabilidade e continuidade da vida. É por isso, sobretudo, apesar da permissividade e do relativismo que encontramos na sociedade, que a crise tem proporções tão grandes.

O tesouro da confiança, particularmente nos que se consagram a serviço da fé e da moral, não admite fissuras. Configura-se a tarefa urgente de reparação, prevenção, expurgos desses quadros na Igreja. A essencialidade da fé e da moral exige depositários servidores de confiança.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte

Não podemos perder a esperança na volta dos nossos irmãos



“Ele (o Messias) não quebrará a cana que já está rachada, nem apagará o pavio que está para se apagar” (Is 42,3).

A sociedade de hoje, potencializada por todas as ferramentas midiáticas, tem levado muitos de nossos irmãos a fracassarem na árdua tarefa de continuar caminhando com os “olhos fixos no Senhor”. Em outras épocas da história, esta situação também perdurava. Mas não se pode negar que nos dias atuais a luta é ainda mais desigual e desonesta.

Porém, definitivamente, não podemos perder a esperança de que um dia aquelas pessoas que fizeram parte da caminhada discipular reencontrem o “caminho de volta”, seja dentro do DJC ou em outros movimentos e ministérios na grande Igreja de Cristo.

A passagem acima, retirada do livro do profeta Isaías, e que fundamenta biblicamente este texto que agora escrevo, foi retomada pelo evangelista são Mateus (Mt 12,20). Ela mostra claramente qual foi a conduta de Jesus: acolher a todos, mesmo aqueles que haviam se afastado do caminho da salvação.

Jesus deixou isso bem claro quando contou a parábola do filho pródigo.

O filho tinha tudo na casa do pai, mas quem sabe iludido por pessoas ou situações, pediu tudo aquilo que tinha direito e foi para terras distantes gastar toda a sua parte na herança que, com muito sacrifício, o pai havia juntado durante anos.

O pai, de coração partido e passando por humilhações, teve que entregar o que o filho lhe solicitava. De fato, para a cultura da época era uma humilhação para o pai ter que entregar a herança para os filhos antes de sua morte. Mas o pai, por amor e atendendo ao pedido do filho, entregou a sua parte na herança.

Podemos supor que de posse de muito dinheiro, como estava, o filho se encheu de “alegria” e começou a pensar como iria gastar toda aquela fortuna. Em que circunstâncias e com quem iria torrar toda aquela grana. Pensou nas mulheres, nas bebedeiras, nos amigos que passaria a ter.

E fez aquilo que “o seu coração e a sua liberdade” diziam. Saiu feliz e foi gastar (daí o nome filho pródigo) toda a riqueza que o pai havia, com muita dificuldade, conquistado.

O restante da história nós já conhecemos. Ele gastou tudo o que tinha e logo depois, os amigos, as mulheres, os banquetes e as grandes festas simplesmente desapareceram. Como vento vieram e como vento foram embora. Por isso foi obrigado a viver de favor. Só comia aquilo que lhe davam. Quando a situação piorou chegou até mesmo a querer comer a comida dos porcos, mas como conta a parábola, nem isso lhe davam (Lc 15,16).

Mas um detalhe muito importante, e que nem sempre nos damos conta, é esse: “então, caindo em si, disse: ' Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome... Vou me levantar, e vou encontrar meu pai, e dizer a ele: - Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Então se levantou, e foi ao encontro do pai” (Lc 15,17-21).

Podemos destacar algumas coisas importantes.

Primeiro é que ele “caiu em si”. Diante daquela situação humilhante começou a ter saudades da casa do pai. Começou a pensar o quanto a vida lá era boa e ele nem sabia. Talvez julgava, antes da partida, que o pai era muito exigente, que tinha que trabalhar muito, dar satisfação daquilo que fazia. Resolveu ir embora e “viver a vida”. Mas, num determinado momento, em seus pensamentos, caiu em si e decidiu voltar para a casa do pai.

Segundo é que ele decidiu “vou me levantar”. Não existe conversão verdadeira e permanente sem que haja um desejo sincero de mudança. Esse “vou me levantar” significa tomar a coragem de reconhecer o erro e de quere consertá-lo. E logo depois, esta passagem é fechada com a exclamação “então se levantou e foi”. Ela passa uma idéia de pressa. O filho tinha pressa. Ele não ficou apenas perdido em seus pensamentos, importantes no inicio, mas colocou em prática aquilo que tinha pensado.

O terceiro são as palavras do filho para com o pai. Elas demonstram um arrependimento profundo. E ele foi pedir perdão justamente àquela pessoa que deveria pedir: ao seu pai. O arrependimento é fundamental. E isso se externa com palavras e com ações. Foi isso que ele fez.

Em quarto lugar, na continuação do evangelho, sabemos que o pai o recebeu de braços abertos. E mais do que isso: ao avistá-lo o pai teve compaixão dele, saiu ao seu encontro de braços abertos e o acolheu. Outra vez o pai se humilha. Para os judeus da época jamais um pai poderia sair ao encontro dos filhos, quanto mais na situação acima descrita. Porém, o pai esqueceu-se de tudo e lembrou apenas do amor para com o filho. Foi ao seu encontro e o acolheu. Depois mandou fazer uma grande festa para recepcionar o filho que “estava perdido e foi encontrado”. E depois foi conversar com o filho mais velho, bem mais presente, da necessidade e receber o filho mais novo.

Por isso, rezemos sempre numa oração de intercessão por todos aqueles que caminharam conosco, mas que, por uma série de motivos, desanimaram na caminhada. E devemos fazer isso não com um sentimento de pena ou dó, mas de compaixão, pois isso, sem sombra de dúvidas, é do agrado de Jesus.

E àqueles que se afastaram, lendo atentamente a parábola do filho pródigo, digo que voltem. Sem medo voltem. Sem precisar dar explicações voltem enquanto há tempo (Is 55,10).

Francisco Edmar de Sousa Silva
MGDI

O jovem precisa de referências


"Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: «Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?" (Mt 19, 16)

Todos nós, independente do estágio de vida onde nos encontramos, precisamos de boas referências para encaminhar a nossa vida pelos caminhos corretos da vida e da fé. Más referências, num primeiro momento muito coloridas e atraentes, pouco tempo depois se mostram incapazes de preencher o nosso ser da verdadeira paz e alegria que brotam do coração de Jesus.

No entanto, é inegável, tanto do ponto de vista psicológico como espiritual, que os jovens carecem muito mais destas boas referências. Quando nos encontramos nesta fase da vida pensamos ser super-heróis, que tudo e todos estão errados e que somente nós somos portadores da verdade e da razão. Esta euforia juvenil pode nos induzir a trilhar caminhos tortuosos, que não raras vezes não têm volta.

Por isso, boas referências são fundamentais para um desenvolvimento juvenil equilibrado. Elas possuem o seu fundamento no convívio familiar, mas também devem ser repassadas pela escola, pela Igreja, pela mídia e etc. Infelizmente, algumas destas instituições não estão correspondendo à sua responsabilidade.

Grande parte das famílias não possui mais o senso do divino e, portanto, não consegue repassar os bons valores que vão nortear um crescimento maduro e saudável do jovem. Bombardeada pelos pelas ‘miragens de felicidade’ do mundo moderno, ela nem sempre coloca em prática a sua missão educadora. Por isso, não é a toa que a violência, dentro e fora de casa, tem aumentado de modo assustador nas últimas décadas, a despeito da melhoria das condições de vida e das facilidades da vida moderna.

A escola, espaço da educação formal, também abicou da vocação de transmissão dos bons valores aos jovens. Não querendo ser vista como uma instituição retrograda assume uma postura ‘moderna’, em detrimento de uma formação humana mais aprofundada de seus alunos. Muitos professores e dirigentes escolares demonstram aversão completa a qualquer modelo de ensino que não “esteja na moda”. Na sua ignorância simplesmente repetem para os seus alunos o modelo de sociedade falida que está em vigor.

A mídia, por sua vez, patrocinada pelas grandes corporações empresariais, tem tentado, a todo custo, alardear um estilo de vida meramente hedonista e consumista. Não há na TV brasileira, com exceção de alguns canais estatais e de canais administrados por entidades religiosas, uma programação que estimule os jovens a cultivarem uma responsabilidade pessoal e coletiva, bem como um crescimento, em todas as dimensões, sadio e equilibrado.

Pelo contrário, a programação tem estimulado de modo ininterrupto o consumo de bebidas alcoólicas e cigarro (meio caminho andado para drogas mais pesadas), a competição a todo custo, o descompromisso com o namoro e o casamento, uma vida sexual desregrada, uma vida pautada em festas e orgias, preocupação apenas com a vida profissional e etc.

Apesar de excelentes experiências, alguns setores da Igreja, por seu turno, nem sempre têm se colocado como deveriam na educação e formação dos jovens. As pastorais, grupos e movimentos dedicados à evangelização dos jovens nem sempre propagam uma mensagem diferente daquela que é alardeada pela sociedade. Muitas das vezes falta coragem e parresia para anunciar aos nossos jovens que existe uma possibilidade, sem perder a riqueza desta fase da vida, de uma vivência pessoal e social diferente.

O fracasso da evangelização da juventude, na maior parte das vezes, é fruto da falta de amor (é isso mesmo) de quem está com o leme da evangelização na mão, pois se o capitão do barco não encoraja os seus marinheiros a se sacrificarem para que o barco não naufrague, como esperar que eles acordem para a realidade em que estão metidos?

Da mesma forma se, no trabalho de evangelização, a pessoa que está à frente não é a primeira a demonstrar felicidade e alegria naquilo que faz, como esperar que os outros se entusiasmem pela mesma causa? Se o responsável sempre está atolado de coisas para fazer e destina somente o sobejo do seu tempo para a evangelização, como esperar que os demais membros deixem de lado os seus afazeres terrenos (e, portanto, passageiros) para se dedicarem aos afazeres celestes (fundamento dos primeiros)? Se não há uma busca pela novidade inspirada pelo Espírito Santo, como esperar que a evangelização não afunde na mesmice? Se não há uma pescaria constante como não esperar que, em termos quantitativos, a FVC vá definhando? E assim sucessivamente.

Estes são apenas alguns questionamentos. Existem vários outros. Quem está com ‘o leme na mão’ deverá se preocupar com eles, buscando sempre a solução.

Se quem está à frente da evangelização não se torna, por meio de palavras e ações, referência para os demais jovens, o trabalho de evangelização esbarra na mesmice, na falta de motivação e testemunhos vivos. E, aos poucos, todos vão se dispersando: uns mudam de igreja... outros de movimento ou pastoral... outros ainda, o que é pior, abandonam completamente a fé e enveredam pelos caminhos da perdição... outros permanecem, mas sem grandes motivações.

É necessário ter muita coragem, unção e parresia para, a partir de Cristo e dos ensinamentos da Igreja, oferecer um SANTO CAMINHO aos jovens. O DJC Jovens não poderá abdicar desta sua prerrogativa.

O Discipulado no seu conjunto espera muito do DJC Jovens. É dele que sairão os novos evangelizadores, pregadores, ministros de oração, coordenadores, conselheiros, acompanhantes locais e etc.

Que o Senhor ilumine o DJC Jovens na sua missão específica. Que Maria interceda por cada jovem para que perseverem nos caminhos santos. E que São Paulo, o apóstolo missionário, interceda por cada coordenador e conselheiro para que possam evangelização com toda unção, amor e parresia.

Graça e Paz!

Siloé, mais do que um simples encontro






Como está narrado no Evangelho de São João (Jo 9,1-11) o ambiente do Siloé está destinado à cura e libertação de todos aqueles que se encontram enfermos tanto no corpo, como na alma e no espírito.

O Novo Testamento, por todas as suas narrativas, e a interpretação realizada pela Igreja durante estes dois milênios, nos apresentam Jesus como o próprio Siloé, enviado pelo Pai para a salvação de todo o gênero humano.

Por isso o Siloé não é um simples evento a mais, ou uma mera data a ser cumprida dentro da Disciplina Comum do DJC Local. Embora ele seja realizado semanalmente (e por conta disso o encaremos com algo rotineiro) deverá sempre ser revestido de uma profunda mística, trazendo sempre no coração e na mente a importância e a necessidade do Siloé em nossas vidas e nas vidas de todos aqueles que, toda quarta-feira, vêm ao encontro de Jesus.

A começar pelo Acompanhante Local, passando por todos os servidores e membros do DJC, sempre deverá ser cultivada está mística: “o Siloé é um mergulho na Graça de Deus”. Caso contrário ele, ao cair nas armadilhas perversas da rotina e da falta de amor e motivação, perderá a sua razão de ser e não corresponderá a vontade de Jesus e nem a necessidade do povo de Deus.

Devemos, a cada quarta-feira, participar do Siloé com toda fome e toda sede de Deus. Em todos os momentos deverá resplandecer o rosto misericordioso de Jesus, de tal forma que os nossos irmãos sintam gosto de sair das suas casas.

Por toda a importância do Siloé estas orientações, que se seguem, são destinadas a quem serve no Siloé nos mais diferentes ministérios. Outrossim, servem também para todos os outros momentos de evangelização do DJC: sejam eles encontros de FVC, encontros de espiritualidade ou aprofundamento, retiros e etc.

Por isso é preciso que possamos reproduzir com todo zelo estas orientações, pois a evangelização deve ser realizada com toda unção, mas também com toda a técnica disponível, pois dentro do nosso coração deve existir o desejo profundo de uma “nova evangelização”.

1. Apostolado da Benção

- as orações (Devoção Mariana, Espírito Santo e Benção) devem ser ministradas de acordo com os direcionamentos do dia. Desde o primeiro momento quem vai ministrar oração deve prestar atenção naquilo que o Dirigente está direcionando, sobretudo, aqueles que ministram oração de Benção depois da pregação: a pregação deve direcionar a oração, senão fica algo sem sentido e sem continuidade. O Ministro de Oração deve rezar a pregação.

- oração é oração; pregação é pregação... Por isso é que cada momento tem o seu específico. Quem vai pregar não pode, ao mesmo tempo, querer ministrar oração. Da mesma forma quem vai ministrar oração não pode fazer uma nova pregação. Existe algo próprio na oração: pedir para o Povo de Deus ir repetindo (isso os ajuda a rezar); pedir para levantar as mãos, colocar as mãos no coração; pedir para que eles rezem com suas próprias palavras (esta atitude ajuda a espantar a tibieza); só ministrar músicas que tenham sido combinadas com o Ministério de Música e que se tenha a segurança em ministrar;

- o Ministério de Intercessão deve ficar todo reunido num lugar bem à frente para colocar em prática o seu carisma e para estar a disposição quando for solicitado pelo dirigente ou Ministro de Oração. É sua missão também encontrar um lugar bem visível e bonito para a caixa dos pedidos de oração.

- a Palavra de Deus, através do Ministério de Liturgia, deverá ser proclamada com toda a solenidade e beleza possíveis. Sem atropelos ou falta de unção, pois ela é próprio Jesus.


2. Apostolado da Infra-Estruturada

- uma boa evangelização começa na acolhida. Acolhida bem feita, pessoa bem evangelizada. A Dona Lúcia (DJC Fortaleza) poderá depois nos dá uma aula de acolhimento. Ela é mestre nisso;

- a ambientação deverá ser organizada com amor e zelo. Todo evento pode esbarrar na estética que o antecede. Coisas espalhadas pelo lugar de oração, ambientes sujos, mal decorados ou com uma estética feia espantam o povo logo de primeira vista. Da mesma forma que ao chegar à casa de um amigo para almoçar podemos ficar assustados com a cor das panelas, dos pratos e das colheres (por mais que a refeição seja a melhor possível e a mais atraente), o povo de Deus fica receoso de freqüentar um lugar onde não se prima a higiene e a beleza (em todos os recantos do espaço de evangelização, inclusive os banheiros).

- a Livraria e a Lanchonete também estão a serviço da evangelização. Por isso mais do que vender as mercadorias e receber dinheiro, os servidores que lá estão devem estar preocupados com a evangelização, que começa pelo modo como se trata os discípulos que se dirigem a estes dos Ministérios. Se forem bem atendidas, mais do que adquirir um produto estas pessoas estarão sendo evangelizadas (maior objetivo). Caso contrário, estes ministérios podem ser pedra de tropeço para a evangelização, uma vez que poderão ser tachados de mercenários e contrários ao que nos ensina o Evangelho de Jesus.


3. Apostolado das Artes

- desde a montagem do som tudo deverá ser realizado com muito amor e unção, pois isso também já faz parte da evangelização.

- depois é necessária a escolha com antecedência do repertório de louvor, uma vez que as músicas de oração são pedidas um pouco antes do Siloé pelos ministros de oração. Se tudo for feito em cima da hora o povo percebe e a evangelização vai perdendo credibilidade.

- louvor é louvor. Nem é pregação e nem oração. Por isso quem ministra louvor deve criar um clima favorável onde o povo de Deus possa louvar e agradecer a Jesus por tudo. O povo gosta do mais simples. Louvor com muitas coreografias não ajuda. Uma coisa é um show de evangelização, outra coisa é um encontro de oração. O Siloé recebe pessoas de várias idades, por isso o discernimento deverá sempre ser posto em prática para não excluir ninguém. Além do mais o que garante a eficácia de um louvor não é quantidade de coreografias (embora sejam importantes), mas a unção e o amor com os quais são ministrados.

No mais, é importante lembrar que não é aconselhável que sejam realizadas, no decurso anual do Siloé, muitas trocas de dirigentes. O Acompanhante Local mesmo sendo o primeiro responsável pela condução do Siloé poderá convidar, por necessidade ou falta de carisma, uma pessoa para dirigir o Siloé. No entanto, esta exceção não pode se constituir numa fuga da missão, nem muito menos uma banalização do Siloé.

Desta forma, as pessoas que, por ventura, venham a ser convidadas para realizar a dirigência do Siloé devem ser orientadas a não esquecerem a peculiaridade do Siloé e a vocação e missão do DJC. Ademais nunca é redundante lembrar que devem ser pessoas maduras, com carisma e que demonstrem muito amor pelo DJC.

Francisco Edmar de S. Silva
Ministro Geral de Desenvolvimento Integral

Obediência Cristã - parte II


Nos primeiros capítulos de Gênesis, o livro das origens, vemos Adão e Eva, instigados por Satanás, desobedecendo uma ordem do Criador. Já conhecemos toda a história. Depois desta desobediência sobrevêm as desgraças: eles perdem o direito do paraíso; Caim mata Abel... ocorre a confusão da Torre de Babel... veio o Dilúvio... depois as grandes guerras... A desobediência está nas nossas origens e só atrai desgraça! O pecado dos pecados é a desobediência.

O Diabo é o desobediente por excelência. Renunciando a Graça de Deus, ele mesmo quis ser deus. E é por isso que ele tenta, de todas as formas e em todas as situações, que os filhos de Deus sejam desobedientes. Ele sabe que, na medida em que alguém cultiva a desobediência, está se fechando em si mesmo, nas suas próprias verdades e aspirações humanas e renunciando a sua própria salvação.

Por isso, devemos renunciar ao diabo e cultivar em nosso meio o Dom da Obediência. Cristo, o Senhor das nossas vidas e do DJC, foi O Obediente por excelência. Sendo obediente, Jesus quis mostrar que a nossa salvação, pessoal e comunitária, passa pela obediência.

A obediência, antes de tudo, é graça de Deus; é Dom do Espírito Santo. É sinal de crescimento humano e espiritual. Somente alguém agraciado por Deus e maduro pode ser obediente, pois é algo próprio da pessoa imatura a rebeldia e a desobediência.
Quem vai amadurecendo passa a enxergar a obediência como uma necessidade e não somente com aquela conotação de que alguém está ‘mandando em mim’.

Chegar à obediência é todo um processo. Deve ser, portanto, cultivado. Isso vale tanto nas grandes como nas pequenas coisas. E todo este cultivo deve ser regado com muita mística e muita oração. Caso contrário, torna-se algo seco e sem sentido, com um peso insuportável.

Quando somos obedientes não quer dizer que deixamos de ser nós mesmos; não perdemos nossa identidade e nem autonomia. Pelo contrário, curvamos a nossa verdade a um objetivo muito maior. Passamos a escutar ao pé (para utilizar o significado do termo obediência). Passamos a escutar mais, agir mais e falar menos e contestar menos. E quando falamos ou contestamos, devemos ter fundamentos convincentes, que sempre são muito mais do que a nossa própria vontade.

É uma ilusão imaginar que podemos caminhar dentro da Igreja sem cultivar a Obediência, pois onde não reina a obediência, que é dom de Deus, reina a bagunça, a desordem e a confusão, que são frutos do Diabo.

Para ressuscitar dos mortos, Jesus teve que ser obediente na sua Paixão e Morte: “Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26,38-39). Jesus poderia muito bem ter renunciado àquela etapa da sua missão e ter salvado a humanidade de outra forma. Sendo Deus, tudo estava ao seu alcance. Mas o Senhor sabia que era aquela a vontade do Pai e que era aquele o caminho que Ele mesmo tinha percorrido.

Tudo isso Jesus fez por amor ao Pai e à humanidade. Assim sendo, toda obediência é fruto do amor e da humildade:“apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fl 2,7-8). O fruto imediato de nossa obediência, por ter nascido do amor e da humildade, é que, a exemplo de Jesus, recebemos o reconhecimento e as bênçãos de Deus (Fl 2,9-11).

Maria é outro modelo de obediência. Mesmo em meio às incertezas e, até mesmo perturbações, que a mensagem do Anjo Gabriel deixou em seu coração, ela foi capaz de exclamar: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa Palavra” (Lc 1,38). Que belo modelo a ser seguido! Tudo naquele momento era desfavorável para Maria. O contexto social não ajudava: como todos iriam receber a mensagem de que uma menina muito nova, que estava noiva, tinha engravidado? Maria além de perder o amor de José, seria apedrejada e mataria seus familiares de vergonha. Tudo aquilo ultrapassava e muito a compreensão daquela jovem judia. Mas Maria disse “faça-se em mim segundo a vossa palavra”.

Maria não só foi obediente, mas nos ensinou a ser. No Evangelho de S. João, encontramos, por ocasião de uma festa de casamento, a seguinte frase de Maria: “façam tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,4).

Em vários escritos do nosso Patrono São Paulo, encontraremos exortações acerca da necessidade da obediência: “obedecei aos vossos dirigentes, e sede-lhes dóceis; porque velam pessoalmente sobre as vossas almas” (Hb 13,17); “tenhais consideração por aqueles que se afadigam no meio de vós, e vos são superiores e guias no Senhor.” (1Ts 5,12).

É por isso que, para o nosso próprio bem e da evangelização, devemos cultivar a obediência dentro do DJC. Não é compreensível alguém que dá o seu SIM ao DJC, depois simplesmente desconsiderar os seus encaminhamentos. Isso é, ao mesmo tempo, contradição e ação diabólica em nosso meio.

Peçamos ao Espiríto Santo que nos conceda o dom da obediência. Que Maria e São Paulo interceda por nós. Que nos abramos a este dom com muita mistíca e amor.

Francisco Edmar de S. Silva
M. G. Desenvolvimento Integral

Obediência Cristã - parte I




A nossa obediência cristã (a Deus e aos irmãos) encontra seu sentido mais profundo, ou seja, a sua razão de ser, em duas pessoas: Jesus e Maria.

Maria, por meio do Dom da Obediência, abriu as portas da Salvação para a humanidade. Jesus, o obediente por excelência, consumou a salvação para todo o gênero humano. É deste ponto que partimos!

A obediência mortifica aquilo que de pior nós temos: egoísmo, vaidade, auto-suficiência, prepotência, egocentrismo... Todos estes pecados são amados pelo Diabo, mas derrotados pela força da obediência.

A obediência não nos sufoca. Ao contrário, abre novos horizontes. Quando cultivamos a obediência somos como que obrigados a sairmos de nós mesmos, do nosso mundo, daquilo que supomos e mergulharmos na humildade. Ou seja, saímos do nosso egoísmo e egocentrismo e começamos a enxergar um ‘outro mundo’ para além daquele que havíamos formulado na nossa cabeça. Este é um excelente exercício que nos fazem crescer como discípulos.

Humanamente, obedecer é humilhar-se. Espiritualmente a humildade é a virtude mais amada por Deus. Por meio dela temos portas abertas para receber todos os outros dons. Maria foi agraciada por Deus justamente por conta da sua humildade(Lc 1,48-49.51-52.55). Através da humildade Maria Santíssima não recebeu somente mais dons, mas O DOM.

A obediência é fruto concreto do amor. Se amamos alguém, quando do nosso erro, somos capazes de reconhecer a nossa fraqueza, pedir perdão e escutar com atenção o que ela tem a nos dizer(já que a palavra obediência vem das palavras hebraicas obedecere e obdaudire, ou seja, escutar de perto, escutar ao pé).

Quando amamos os nossos pais somos capazes de obedecê-los. Quando amamos a Obra de Deus somos capazes de obedecer. Quando amamos o DJC somos capazes de obedecer às sua diretrizes e àquelas pessoas que o próprio Deus chamou para nos guiar(1Ts 5,12-13).

A obediência também é fruto de uma vida espiritual madura. Quanto mais meditamos a Palavra de Deus e rezamos, mais vamos entendendo, misticamente, o sentido sublime da obediência.

Por fim, a obediência é fruto de uma maturidade humana. Quanto mais madura na vida é uma pessoa, mais ela tem consciência de que, para o reinado de um bem maior, é preciso que haja obediência.

Isto se dá de maneira gradual. Quanto mais vamos tomando consciência do chamado de Deus; quanto mais vamos descobrindo o por quê estamos aqui na terra com este determinado carisma, mas vamos compreendendo a necessidade de sermos obedientes, uma vez que passamos a entender que a obediência esta ordenada para duas finalidades maiores: para o plano individual(nossa própria salvação) e para o plano coletivo(evangelização/salvação).

Graça e Paz!
Francisco Edmar - MDI

Ministério Geral de Desenvolvimento Integral





Graças a Deus e ao esforço de muitas pessoas (na sua maior parte humilde, mas comprometidas) o Discipulado de Jesus Cristo tem dado muitos passos. A sua própria existência durante estes anos todos, já é uma vitória da misericórdia do Senhor sobre as nossas fraquezas.

No decorrer de sua história o DJC tem se expandido (quantidade) e amadurecido (qualidade). De passo em passo, estamos nos organizando: algumas pessoas saem, outras entram... e a missão continua, sem desânimos ou rancor no coração. Caso contrário, não poderíamos ser chamados de discípulos de Jesus. Quem saiu continua sendo companheiro de caminhada, embora em ‘casas’ diferentes. Esta é a riqueza da Igreja que nunca poderá ser perdida. Em relação a eles o DJC só tem o sentimento de agradecimento.

Quanto ao DJC ele continua a sua caminhada. Ora com acertos, ora com erros, mas sempre com o olhar fixo em Jesus e na sua própria Vocação e Missão. Estamos nos fortalecendo em cada localidade, realizando os Encontros Vocacionais para o Compromisso de Aliança, rezando e melhorando os nossos Estatutos, promovendo eventos de evangelização (tanto a nível local como geral), nos fortalecendo na fraternidade, aprimorando os nosso blogs, colocando no ar o nosso programa semanal na internet, editando os nossos subsídios e etc. E, sem sombra de dúvidas, com a Graça de Deus, a tendência é o crescimento. Com aqueles que estão descobrindo a real razão de ser do DJC dentro da Igreja, continuaremos caminhando sempre para frente.

E é neste contexto que se encaixa o meu Ministério. Ele me confiado pelo DJC, através do meu Acompanhante Geral e do Conselho Geral, justamente para promover o ‘Desenvolvimento Integral do DJC’. Sem muito idealismo, mas também sem pessimismo e agindo na prática mais do que na teoria, me coloco a disposição de todo o DJC para ajudá-lo a cumprir com o êxito a sua Vocação e Missão nos seus mais variados organismos e localidades.

Por isso, na medida das minhas possibilidades e amparado pela infinita misericórdia de Jesus, a quem de fato pertence o DJC, desejo exercer o meu Ministério com muito amor, mística e parresia.

Graça e Paz a todos!